Desde a final do Mundial de Clubes entre Santos e Barcelona todos estão estupefatos com o a goleada da equipe espanhola sobre o representante do país do futebol. Copiar o Barcelona passou a ser questão fundamental.
É possível que as teorias de gestão possam auxiliar a discussão de como enfrentar o Barça, a partir de como as empresas desafiantes superam os líderes. Fazer o que tem dado certo para o Barcelona pode não ser a melhor opção.
O Barcelona mudou o jogo e o negócio do futebol. No campo, a equipe apresenta elevado nivel físico. Enquanto o time controla a bola, o adversário corre atrás e se desgasta.
Em termos técnicos, atingiu níveis recordes de eficácia. O jogador Xavi fez 110 passes no mundial e não errou nenhum. O time inovou no modelo de jogo, na movimentação e na concepção de participação, humildade e organização tática.
Um jogo que prima pela repetição onde quem é mais eficiente vence ao invés do velho futebol do imponderável onde "tudo pode acontecer". O jogo ficou menos randômico, mais previsível. Para tanto, o clube desenvolveu três competências raras, valiosas e difíceis de imitar:
1) A capacidade de formação, atração, desenvolvimento e obtenção de desempenho coletivo de jogadores de alto nível;
2) A capacidade de defender a partir de pressão na saída de bola do adversário por meio de jogadores rápidos e bem preparados;
3) A capacidade de reter a posse de bola, gerar oportunidades e converter em gol.
Atualmente o Barcelona joga um esporte e os demais times outro. Não há o paradoxo do jogo bonito e resultados. Enquanto negócio, o clube desbravou novos mercados e consolidou-se como a marca de futebol de maior alcance global.
Voltemos ao embate. Então como vence-los? No mundo empresarial, também não é fácil desbancar os líderes. As pesquisas indicam que a chance de uma empresa permanecer na liderança é maior que 90%.
O líder tem recursos, escala e marca,o que tende a mantê-lo nessa condição, se as regras e o campo forem mantidos.
No entanto, como nos ensinam as empresas inovadoras, quando a lógica e as regras mudam, o líder tem menor responsividade. Henry Ford desenvolveu a linha de montagem e transformou a indústria do automóvel com o modelo T. A GM assumiu a liderança, anos depois, com o marketing de "um carro para cada perfil de cliente".
Depois, os japoneses da Toyota desbancaram o líder baseados no modelo de produção enxuta, just in time, lean.
Nesses momentos uma inovação colocou o desafiante na frente. Copiar o que o Barcelona faz de melhor não vai ser eficaz. No que tange ao negócio, desenvolver mercados emergentes, formar alianças e ser eficiente na exploração de seus ativos são caminhos.
Em termos de jogo, os desafiantes precisarão repensar a parte física e técnica, mas para vencer será preciso deslocar o Barça da situação de conforto criada por seu modelo de jogo. A bola aérea, o contra ataque, a velocidade e a forte marcação são algumas alternativas.
Para supera-los será preciso uma concepção de jogo que inverta a imposição colocada pelo clube catalão. Jogando no mesmo estilo, com as mesmas armas, o desafio será ainda mais doloroso. As empresas sabem disso.
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Maximiliano Carlomagno é sócio-fundador da Innoscience
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Max, parabéns pelo texto! Agradável de ler e esclarecedor! Acredito muito na Disciplina, Modéstia e Serenidade para chegarmos no modelo Barça! Mas principalmente construção sólida de gestão com padrões claros e planejamento sólido e contínuo. Grande abraço
Max, texto dez! A analogia entre o modêlo Barça e empresas desafiantes e líderes de mercado, é perfeita! Parabéns pela lucidez.