Ticker Bolsa 1

Ticker Bolsa 2

Aquisição

Pearson compra parte da Seb por R$ 613 milhões

Ruy Barata Neto   (rneto@brasileconomico.com.br)
22/07/10 07:55


Collapse

Comunidade

Partilhe: del.icio.us   Digg   Facebook   TwitThis   Google   Mixx   Technorati  

Grupo editorial inglês assume gráfica e distribuição de materiais didáticos.

O conglomerado internacional de mídia Pearson, dono do jornal Financial Times e da revista The Economist, anunciou ontem a compra da gráfica e das editoras da Seb (Sistema Educacional Brasileiro S.A), responsáveis por produzir e distribuir material didático para o ensino fundamental e básico para escolas da própria companhia em dez cidades no Brasil. O negócio foi firmado em R$ 613,3 milhões e será pago à vista. Ele ocorre dez dias depois da aquisição do grupo educacional Anglo pela Abril Educação (associada da Editora Abril).

Segundo Chaim Zaher, presidente do conselho de administração do Seb, os sistemas de ensino do Brasil passaram a ser o foco dos grandes grupos educacionais, como prova a compra do Anglo. Trata-se de metodologias pedagógicas de-senvolvidas com base nas Leis de Diretrizes e Bases da Educação, e compostas por apostilas e outros materiais didáticos, que são editados e vendidos por empresas privadas. "Precisávamos de um parceiro para nos proteger da concorrência predatória que começa a se formar no setor, e que agregasse inovação", diz Zaher.

Para viabilizar a operação, o grupo Seb foi dividido em dois: o de sistemas de ensino, que passa a ser controlado pela Pearson, dono de 88,81% da nova companhia; e as escolas, que permanecem nas mãos de Zaher. A rede de colégios passa a chamar NovaSeb e 71% das ações pertencem a Zaher. A conclusão do negócio deve acontecer nos próximos quatro meses, tempo necessário para que as duas companhias lancem uma oferta pública de aquisição (OPA) da participação dos acionistas minoritários, que passam a ter dois tipos de ações em mãos.

Os dois grupos pretendem fechar o capital, e os analistas esperam um desenrolar rápido para o caso, visto que houve valorização dos papéis. Ontem, as ações da empresa fecharam em R$ 28,80, alta de 46,19%.

A Pearson pretende pagar R$ 22 por ação e Chaim pagará outros R$ 9. Esses valores somados, R$ 31, representam valorização média de 73% na avaliação dos últimos 30 dias. "Trata-se da maior premiação para acionista dos últimos três anos, de acordo com informação do banco Morgan Stanley que nos assessorou", diz Nilson Curti, superintendente do Seb.

Para fechar o preço da transação foi levado em conta o valor dos ativos das editoras e da gráfica, a margem de lucro líquida da operação de sistema de ensino, que foi de 42,6% no último ano - o lucro líquido foi de R$ 50 milhões - e o potencial de negócios. De acordo com dados do Instituto de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), há 24 milhões de alunos estudando até o nono ano em escolas públicas. O material didático vendido pela iniciativa privada para essas escolas não atende mais de 3% do total de alunos.

O Grupo Pearson, com a aquisição, triplica sua operação no país e deve faturar R$ 160 milhões ainda este ano, o que coloca a operação brasileira como a maior da companhia, diz JuanRomero, presidente da Pearson na América Latina. A perspectiva de Romero é ganhar escala para a distribuição de séries educativas que englobam livros didáticos e diferentes materiais digitais.

De imediato, a companhia passa a contar com a base de 450 mil alunos da Nova Seb. O contrato prevê exclusividade na distribuição e aquisição do sistema de ensino entre as partes pelos próximos sete anos. "Não fizemos uma simples transação de compra e venda de ativos, mas uma parceria para os próximos anos", diz Zaher. A ideia depois é aumentar as vendas para as escolas públicas.

Romero transferirá a sede dos negócios latino-americanos da Pearson, hoje em Nova York, para o Brasil ainda este ano. O executivo afirma que aumentou os investimentos programados para o país, que deve superar os R$ 100 milhões nos próximos cinco anos.


Comentários

Ainda não existem comentários. Seja o primeiro a comentar!
Envie o seu comentário

Os comentários enviados serão publicados após aprovação. O Brasil Econômico reserva-se o direito de não publicar comentários considerados como ofensivos ou sem ligação alguma ao artigo em questão

outros jornais da EJESA