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Finanças

Petrobras embaralha cronograma de IPOs

Mariana Segala e Vanessa Correia   (redacao@brasileconomico.com.br)
24/06/10 12:15


"A maioria das empresas que não estão ligadas ao setor de infraestrutura deverá aguardar o ano que vem para abrir o capital", diz Ana Carolina Freire

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O adiamento da oferta de ações da Petrobras - que capitalizará a empresa para a exploração do petróleo do pré-sal - promete jogar as novas aberturas de capital para 2011.

A petrolífera informou, na noite de terça-feira (22), que estabeleceu setembro como meta para a distribuição dos papéis, dois meses à frente do prazo antes cogitado, que era julho.

A mudança se deveu ao fato de a Agência Nacional de Petróleo (ANP) ainda estar contratando empresa para emitir o laudo que balizará o preço do barril de petróleo a ser pago pela companhia à União - processo chamado de cessão onerosa.

"É razoável esperar que as ofertas sejam retomadas apenas em 2011", avalia a economista da consultoria Tendências, Alessandra Ribeiro.

Antes do adiamento, imaginava-se que novas ofertas iniciais (IPOs, na sigla em inglês) fossem retardadas, para evitar a coincidência de prazos - e a concorrência por investidores - com a operação da Petrobras que, estima-se, pode movimentar até US$ 50 bilhões.

Se de fato ocorresse em julho, restaria praticamente todo o segundo semestre para a realização dos IPOs. "Ficando para setembro, em seguida vêm as eleições presidenciais, que acreditamos que sigam para o segundo turno. Isso fora a crise da dívida europeia", ressalta Alessandra.

Ana Carolina de Salles Freire, sócia de TozziniFreire na área de mercado de capitais, também acredita que a postergação da oferta reduz as chances das empresas que buscavam lançar seus papéis no segundo semestre deste ano.

"Pode ser que algumas empresas ligadas aos setores de infraestrutura aproveitem o momento e lancem ações na esteira da oferta da Petrobras", ressalta. "Para as empresas que não estão ligadas ao setor de infraestrutura, acredito que a maioria deverá aguardar o ano que vem."

O último IPO realizado no mercado brasileiro ocorreu no fim de abril. A fonte secou por aqui, mas no resto do mundo continuou a jorrar. Em maio, houve 139 IPOs nos mercados internacionais, mais que os 128 de abril, segundo a Federação Internacional de Bolsas (WFE, na sigla em inglês), mas nenhum na BM&FBovespa.

No ano, foram realizadas sete ofertas iniciais na bolsa brasileira (Julio Simões, Mills Estruturas e Serviços, Primav Ecorodovias, OSX Brasil, BR Properties, Multiplus e Aliansce Shopping Centers).

Oportunidade

A janela de dois meses aberta com a postergação da oferta da Petrobras poderia levar as empresas que estão em compasso de espera a realizar seus IPOs. "Valeria a pena para as companhias que estivessem bastante adiantadas nas ofertas", diz Christian Roschmann, sócio do Lefosse Linklaters.

Ainda assim, os especialistas não acreditam nessa hipótese. "No fim do mês começam as férias no Hemisfério Norte", lembra o professor de finanças da Brazilian Business School, Ricardo Torres. "As equipes ficam no esqueleto e as posições são travadas até setembro, quando a oferta da Petrobras já deve começar."

Motivos

Além da explicação dada pela Petrobras para a postergação da oferta, o sócio do Lefosse Linklaters acredita que o vazamento de petróleo no Golfo do México pode ter motivado a estatal petrolífera a rever seus planos. "Precisamos averiguar o impacto do vazamento no Golfo do México para a indústria como um todo", afirma.

De acordo com ele, dois meses para tal conclusão é pouco. "Acredito que nesse período teremos, pelo menos, um relatório preliminar sobre as causas do vazamento: se foram falhas no procedimento ou na tecnologia", completa Roschmann.


Comentários

marcelo luiz, Santos SP | 24/06/10 13:09
A culpa deste adiamento foi dos politicos da oposição que não votaram a tempo os projetos do pre sal e a capitalização da Petrobras. O povo esta de olho nesses politicos pois se já tivesse ocorrido a capitalização , isto geraria mais empregos e mais desenvolvimento . pois as empresas estão em compasso de espera pois dependem das licitações da Petrobras para compra de materias primas , novos materiais e contratação de funcioanrios . Mas o povo esta dando o troco com o ibope mostrando Dilma com 40 % da intenção de votos .Não queremos retrocessos e sim manter desenvolvimento do nosso País com a continuidade do Governo LULA


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