A seguradora alemã administra uma carteira de cerca de € 450 bilhões, da qual apenas 2% correspondem a títulos de países periféricos do euro
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Para a seguradora alemã Allianz, que administra cerca de € 450 bilhões da qual 2% correspondem a títulos de países periféricos do euro, detalhes da expansão do fundo ainda devem ser conhecidos.
As medidas anunciadas pelos líderes europeus para conter a crise da dívida, que provocaram forte alta nos mercados financeiros, geram dúvidas sobre a implementação do fundo.
Para a seguradora alemã Allianz, detalhes da expansão do fundo ainda devem ser conhecidos.
"Estamos otimistas, mas é importante que essas decisões sejam implementadas rapidamente e há muitos detalhes ainda não conhecidos", disse ao Brasil Econômico Rolf Schneider, diretor de pesquisa macroeconômica da Allianz.
Na madrugada da quinta-feira (27/10), após a décima quarta reunião convocada para discutir o problema, os países europeus anunciaram, em termos gerais, um pacote de medidas que supostamente devem salvar o euro.
Dentre as mudanças anunciadas, estão o perdão voluntário de 50% da dívida grega com credores privados, o aumento do Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF) para € 1 trilhão e medidas para reforçar o capital dos bancos.
"Claramente cometeram erros políticos até agora, mas espero que com esse compromisso as decisões avancem rápido", aponta.
A seguradora alemã administra uma carteira de cerca de € 450 bilhões, da qual apenas 2% correspondem a títulos de Portugal, Espanha, Irlanda e Grécia.
Ainda não se sabe como o fundo de resgate deverá operar depois de reforçado. A princípio, a elevação do poder de fogo do FEEF não será realizado por meio de aportes, mas de uma alavancagem de parte dos seus ativos, o que eleva o risco.
Atualmente, o fundo de resgate é avaliado como "AAA" pelas agências de classificação. Mas cada vez mais o mercado começa a duvidar de que essa avaliação reflita realmente o risco da instituição.
"Claramente há um risco maior de que até todas as garantias possam ser perdidas", diz.
Ainda não está definido como o fundo vai operar para garantir as dívidas. A Allianz apresentou uma proposta aos governos, de que o FEEF operasse como uma seguradora, e não apenas como um financiador.
De acordo com o plano, o fundo garantiria cerca de 20% das dívidas emitidas pela Espanha e Itália que tenham maior risco. Em troca, os governos pagariam um prêmio, como a uma seguradora.
"Eles decidiram fazer essa opção mais tarde, então não sabemos os detalhes", afirma Schneider. Ainda assim, apenas a concessão de uma garantia a esses títulos será suficiente para rebaixar o custo de financiamento dos países.
"Não esperamos que os juros desses papéis cheguem a um nível semelhante a títulos ‘AAA', mas deverão ficar entre 5,5% e 6%, o que já será positivo", diz.
Em relação à Grécia, a renúncia voluntária de títulos da dívida detidos por credores privados foi elevado de 20% para entre 50% e 60%. A meta das autoridades é reduzir o endividamento do país a 120% do PIB até 2020. No entanto, a recessão na Grécia pode dificultar esse objetivo, e o perdão de parte da dívida não altera as metas de cortes de gastos.
"Não há mudanças na necessidade de uma consolidação fiscal."
O PIB grego, após ter recuado 4,4% em 2010, deve cair mais 5% em 2011, segundo projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI). Para Schneider, contudo, a economia do país deve estar próxima do fundo do poço, e poderá voltar a crescer.
"A produção industrial do país se estabilizou no meio do ano, não estou cético de que a economia grega possa voltar a crescer no ano que vem", diz.
Ainda que o pacote, quando finalizado, solucione tecnicamente os problemas do euro, ainda resta saber se os agentes econômicos vão confiar na reestruturação. Apenas isso pode retomar o nível de consumo e investimentos na economia.
"Temos visto sinais de queda na confiança da economia, o que esperamos que seja conjuntural", diz. "A principal questão no momento é se esses problemas políticos que enfrentamos terão um impacto na economia", diz.
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