Ticker Bolsa 1

Ticker Bolsa 2

Crise

Plano europeu tem que ser implementado com rapidez

Felipe Peroni   (fperoni@brasileconomico.com.br)
28/10/11 13:15


A seguradora alemã administra uma carteira de cerca de € 450 bilhões, da qual apenas 2% correspondem a títulos de países periféricos do euro

A seguradora alemã administra uma carteira de cerca de € 450 bilhões, da qual apenas 2% correspondem a títulos de países periféricos do euro

Collapse

Comunidade

Partilhe: del.icio.us   Digg   Facebook   TwitThis   Google   Mixx   Technorati  

Para a seguradora alemã Allianz, que administra cerca de € 450 bilhões da qual 2% correspondem a títulos de países periféricos do euro, detalhes da expansão do fundo ainda devem ser conhecidos.

As medidas anunciadas pelos líderes europeus para conter a crise da dívida, que provocaram forte alta nos mercados financeiros, geram dúvidas sobre a implementação do fundo.

Para a seguradora alemã Allianz, detalhes da expansão do fundo ainda devem ser conhecidos.

"Estamos otimistas, mas é importante que essas decisões sejam implementadas rapidamente e há muitos detalhes ainda não conhecidos", disse ao Brasil Econômico Rolf Schneider, diretor de pesquisa macroeconômica da Allianz.

Na madrugada da quinta-feira (27/10), após a décima quarta reunião convocada para discutir o problema, os países europeus anunciaram, em termos gerais, um pacote de medidas que supostamente devem salvar o euro.

Dentre as mudanças anunciadas, estão o perdão voluntário de 50% da dívida grega com credores privados, o aumento do Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF) para € 1 trilhão e medidas para reforçar o capital dos bancos.

"Claramente cometeram erros políticos até agora, mas espero que com esse compromisso as decisões avancem rápido", aponta.

A seguradora alemã administra uma carteira de cerca de € 450 bilhões, da qual apenas 2% correspondem a títulos de Portugal, Espanha, Irlanda e Grécia.

Ainda não se sabe como o fundo de resgate deverá operar depois de reforçado. A princípio, a elevação do poder de fogo do FEEF não será realizado por meio de aportes, mas de uma alavancagem de parte dos seus ativos, o que eleva o risco.

Atualmente, o fundo de resgate é avaliado como "AAA" pelas agências de classificação. Mas cada vez mais o mercado começa a duvidar de que essa avaliação reflita realmente o risco da instituição.

"Claramente há um risco maior de que até todas as garantias possam ser perdidas", diz.

Ainda não está definido como o fundo vai operar para garantir as dívidas. A Allianz apresentou uma proposta aos governos, de que o FEEF operasse como uma seguradora, e não apenas como um financiador.

De acordo com o plano, o fundo garantiria cerca de 20% das dívidas emitidas pela Espanha e Itália que tenham maior risco. Em troca, os governos pagariam um prêmio, como a uma seguradora.

"Eles decidiram fazer essa opção mais tarde, então não sabemos os detalhes", afirma Schneider. Ainda assim, apenas a concessão de uma garantia a esses títulos será suficiente para rebaixar o custo de financiamento dos países.

"Não esperamos que os juros desses papéis cheguem a um nível semelhante a títulos ‘AAA', mas deverão ficar entre 5,5% e 6%, o que já será positivo", diz.

Em relação à Grécia, a renúncia voluntária de títulos da dívida detidos por credores privados foi elevado de 20% para entre 50% e 60%. A meta das autoridades é reduzir o endividamento do país a 120% do PIB até 2020. No entanto, a recessão na Grécia pode dificultar esse objetivo, e o perdão de parte da dívida não altera as metas de cortes de gastos.

"Não há mudanças na necessidade de uma consolidação fiscal."

O PIB grego, após ter recuado 4,4% em 2010, deve cair mais 5% em 2011, segundo projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI). Para Schneider, contudo, a economia do país deve estar próxima do fundo do poço, e poderá voltar a crescer.

"A produção industrial do país se estabilizou no meio do ano, não estou cético de que a economia grega possa voltar a crescer no ano que vem", diz.

Ainda que o pacote, quando finalizado, solucione tecnicamente os problemas do euro, ainda resta saber se os agentes econômicos vão confiar na reestruturação. Apenas isso pode retomar o nível de consumo e investimentos na economia.

"Temos visto sinais de queda na confiança da economia, o que esperamos que seja conjuntural", diz. "A principal questão no momento é se esses problemas políticos que enfrentamos terão um impacto na economia", diz.


Comentários

Ainda não existem comentários. Seja o primeiro a comentar!
Envie o seu comentário

Os comentários enviados serão publicados após aprovação. O Brasil Econômico reserva-se o direito de não publicar comentários considerados como ofensivos ou sem ligação alguma ao artigo em questão

outros jornais da EJESA