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Finanças

Por que a B2W virou peso para Lojas Americanas

Maria Luíza Filgueiras   (mfilgueiras@brasileconomico.com.br)
30/09/11 13:15


Pelos números e avaliação do mercado, pode-se dizer que a B2W hoje pesa sobre a Lasa

Pelos números e avaliação do mercado, pode-se dizer que a B2W hoje pesa sobre a Lasa

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Além do prejuízo no último trimestre, o braço on-line da varejista sofre com a queda das ações e desconfiança do mercado, o que força a controladora a injetar recursos.

Quando a fusão entre Submarino e Americanas.com foi anunciada, em 2006, a reação de investidores e analistas foi de euforia com a criação de uma empresa de e-commerce sem proporções no mercado brasileiro.

A compra da Blockbuster pela Lojas Americanas, em 2007, não surtiu o mesmo efeito, principalmente quando o mix de DVDs, calcinhas e chocolates foi implementado na rede, combinação fadada ao fracasso segundo avisaram consultores de varejo.

Hoje a B2W luta para manter fôlego financeiro, enquanto a Lojas Americanas mantém crescimento em vendas e em número de unidades - e, ultimamente, sustenta o ritmo de sua controlada on-line.

No último trimestre, enquanto o lucro consolidado da Lojas Americanas passou a R$ 43, 4 milhões, ante R$ 43,2 milhões no segundo trimestre de 2010, a B2W teve resultado líquido negativo em R$ 20,9 milhões, comparado a um lucro líquido de R$ 17,9 milhões no mesmo período do ano anterior. No semestre, o acumulado foi negativo em R$ 22,5 milhões.

No ano passado, o cenário já não era animador no balanço na empresa de produtos e serviços on-line. Em 2010, o lucro líquido da B2W foi de R$ 33,6 milhões, queda de 45,8% sobre o ano anterior.

Às perdas no balanço, une-se a desvalorização das ações e a desconfiança do mercado, que acabam por forçar a Lasa a avançar no capital da B2W.

Quando a empresa começou a ser negociada sob o novo nome, seu valor de mercado na BM&FBovespa era de R$ 9,69 bilhões. Hoje, vale R$ 2,47 bilhões.

Pelos números e avaliação do mercado, pode-se dizer que a B2W hoje pesa sobre a Lasa. Amostra disso é que a ação da controladora é negociada com desconto até pelos cálculos dos analistas que reviram conservadoramente a projeção para o papel, considerando o impacto da controlada nas contas totais.

"As duas empresas se relacionam na medida de participação detida. Hoje a Lojas Americanas detém quase 60% do capital da B2W, que impacta diretamente seu resultado", explica Renato Prado, analista da Fator Corretora.

A influência da controlada também foi considerada na avaliação da equipe da Citi Corretora, que revisou o preço-alvo de B2W de R$ 17,50 para R$ 17,30 por ação (BTOW3), considerando impacto negativo no desempenho operacional com ambiente mais competitivo ainda afetando margens e ações sem reversão no curto prazo da perda já acumulada.

"Os resultados da B2W devem continuar prejudicados pelo baixo crescimento da receita e concorrência elevada no setor. Além disso, atraso nas entregas nos últimos trimestres pode ter levado a companhia a perder clientes", apontam os analistas do Citi, em relatório.

Em junho, a B2W aumentou seu capital em R$ 1 bilhão, mediante subscrição de novas ações, praticamente absorvidas pelo controlador, ao custo de R$ 21,62 por ação (na quinta-feira (29/9), fechou a R$ 15,79) - passando a Lojas Americanas de 56,57% do capital da B2W para 58,87%.

Este mês, o simples anúncio da controladora de emissão de debêntures conversíveis em ações, com subscrição garantida pelo BNDESPar, fez a ação da B2W disparar mais de 7% durante o pregão, com a expectativa de investidores de que o dinheiro seja usado na empresa on-line - para a Citi Corretora, a capitalização ajuda, mas não resolve.

Mas o que aconteceu à empresa que lançou o primeiro sistema de cobrança de cartão de credito on-line e a logística de entrega em 48 horas? Exatamente esses dois pilares, que a tornaram uma gigante do setor.

Os desafios da B2W hoje residem basicamente entre fluxo de recebíveis e sistema de distribuição, questões que ganharam destaque na medida em que a empresa ganhou novos concorrentes e perdeu ritmo de expansão.

"A empresa é 100% de vendas pela internet e quase a totalidade dessas vendas é feita em cartão de crédito, ou seja, um fluxo de no mínimo 30 dias a receber. Com concorrência mais acirrada, o parcelamento em 10 vezes ficou mais comum, estendendo esse prazo de entrada de recursos em caixa", explica Julia Monteiro, analista da Ativa Corretora.

Isso significa que a companhia precisa ter uma disponibilidade alta de capital de giro e ter disponibilidade no estoque de produtos para entrega quase imediata, detalha a analista.

"Há um descasamento entre entradas e saídas, e por isso a empresa precisa antecipar recebíveis", diz Julia.

O processo comum rotina dessas companhias é trocar o fluxo de contas a receber por dinheiro imediato, descontado uma determinada taxa. Até aqui nada de novo, mas a questão é que essa necessidade de antecipação na B2W ficou cada vez mais frequente e mais cara em relação à média de mercado.

Enquanto a faixa de variação máxima para o varejo fica entre 108% a 112% do CDI (Certificado de Depósito Interbancário), a B2W vem pagando entre 130% e 150% do CDI, compara a analista.

No balanço do primeiro semestre, a companhia destacou que "continua trabalhando na gestão das variáveis de capital de giro", com melhorias em processos internos e de relacionamento com fornecedores.


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