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Rafael Paschoarelli

Poupança e crédito imobiliário

20/09/10 07:09 | Rafael Paschoarelli - Professor de Finanças da USP



Talvez você não saiba, mas existe uma relação estreita entre a caderneta de poupança e o financiamento imobiliário. Por determinação do Banco Central, cerca de 65% dos recursos captados pelos bancos em caderneta de poupança devem ser canalizados para o financiamento imobiliário.

Essa simples determinação do Banco Central é a principal explicação que permite entender por que um banco que cobra 4% ao mês em um empréstimo de R$ 4.000,00 na modalidade de crédito pessoal cobra do mesmo indivíduo bem menos de 1% ao mês na modalidade de financiamento imobiliário e ainda para um valor de crédito muito maior.

O rendimento da caderneta de poupança é, segundo as regras atuais, de 0,5% ao mês acrescido da taxa referencial (TR). Como a TR ao mês é bem próxima de zero, as cadernetas de poupanças acabam rendendo algo próximo de 0,5% ao mês.

Do jeito que as coisas estão atualmente, os atuais mutuários da casa própria deveriam levantar as mãos para o céu e agradecer que o dinheiro que o banco lhe emprestou para financiar seu imóvel veio dos aplicadores da caderneta de poupança que se contentam com uma migalha de rendimento (0,5% ao mês é um rendimento baixo considerando outras alternativas).

Isso é, alegria de quem financia a casa própria com o dinheiro da poupança é a tristeza de quem lá depositou suas economias. Contudo, essa festa deve acabar em breve. Vejamos o motivo para tal.

O problema é que a evolução do crédito imobiliário está acontecendo em uma velocidade muito maior do que as captações em caderneta de poupança. O resumo da ópera é que, dentro em breve, não haverá mais recursos oriundos apenas da caderneta de poupança para financiar habitação.

Quem já está no financiamento não deve se preocupar. O problema é para aquelas pessoas que quiserem entrar no financiamento imobiliário nos próximos anos após os recursos da poupança secarem.

Quando isso ocorrer, o sistema financeiro terá que lançar mão de outras fontes de recursos para sustentar o financiamento habitacional.

Se não o fizer, será uma pá de cal no desenvolvimento do país, que ainda padece de um enorme déficit habitacional. Quase que certamente, no entanto, essa nova fonte de recurso para a casa própria será bem mais cara que o recurso da caderneta de poupança.

Como conclusão, posso afirmar que a atual conjuntura é favorável para quem deseja entrar no financiamento imobiliário e aquelas pessoas que quiserem financiar dentro de dois ou mais anos devem ter em mente os riscos que correm pela possibilidade dos recursos da caderneta de poupança serem insuficientes, tamanha a demanda por crédito imobiliário.

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Raphael Paschoarelli é professor de Finanças da USP e mantém o site http://www.comdinheiro.com


Comentários

marcio , Granhuns/PE | 28/09/10 09:40
gostaria de saber a determinação atual da poupança do investimento e do consumo.


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