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Sustentabilidade

Pressão para cortar carbono cresce e envolve fornecedores

Martha San Juan França   (mfranca@brasileconomico.com.br)
16/02/12 18:24


Fibria: pioneira no setor florestal a disponibilizar questionário de emissões para fornecedores

Fibria: pioneira no setor florestal a disponibilizar questionário de emissões para fornecedores

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Investidores exigem redução de emissões de empresas que fazem o mesmo com sua cadeia de suprimentos.

Estimulados por empresas do porte da Vale, Fibria, Walmart, que participam do mercado globalizado, centenas de fornecedores brasileiros - grandes e pequenos - começam a se movimentar para responder ao questionário do Carbon Disclosure Project (CDP) Supply Chain.

O objetivo é aderir ao compromisso internacional de inventariar e divulgar suas emissões de carbono e, a partir daí, empreender ações de redução.

Da parte das grandes corporações, a iniciativa visa diminuir a pegada de carbono, o que só é possível pressionando pela rastreabilidade da cadeia de suprimentos.

No Brasil, a resposta aos questionários ainda é incipiente e muito nova. Em 2008, o Bradesco, um dos pioneiros a incentivar a medida, começou a realizar um evento anual abordando o tema e a importância da gestão das emissões, com a participação de especialistas na área, e passou a responder o questionário no ano seguinte.

"Hoje, além do Bradesco, Fibria, Suzano, Vale, AES Eletropaulo e Sabesp, entre outras, já fazem esse trabalho de conscientização", diz Juliana Campos Lopes, gerente regional para a América Latina do CDP. Ela conta que a proposta está em processo de amadurecimento, mas já apresenta resultados.

"De um ano para outro houve uma nítida evolução da parte das próprias empresas", afirma. Segundo Juliana, questões como busca de eficiência e alternativas sustentáveis, degradação da água e do ar, que antes eram preocupações apenas da área de sustentabilidade, passaram a fazer parte do dia a dia das equipes de compras.

O relatório do CDP Supply Chain de 2011, desenvolvido com a ajuda da Accenture, comprova essa mudança. Em relação às empresas que têm estratégias para combater as mudanças climáticas, por exemplo, 90% incluíram essas orientações em seus contratos no último ano, ante 79% que fizeram isso em 2010.

Já 67% das companhias consultadas afirmaram que incorporaram a gestão de carbono em suas políticas. Outros dados apontam que 50% das companhias têm ou estão desenvolvendo obrigações contratuais para fornecedores que incluem informações sobre a gestão de emissões de carbono. Mas ainda falta muito a ser feito.

Processo longo

O CDP, criado em 2003, é o maior registro voluntário de informações sobre políticas e estratégias de empresas em matéria de controle de emissões de gases do efeito estufa.

Financiado pelo Carbon Trust do governo britânico e por um grupo de entidades filantrópicas, liderado pela Fundação Rockfeller, reúne 534 investidores globais, contando com a participação dos maiores bancos, seguradoras e fundos de pensão.

Inicialmente, esse relatório visava apenas as grandes corporações, mas com o tempo ficou evidente que os resultados destas dependiam do que ocorria no âmbito de seus fornecedores. Surgiu assim, em 2007, o CDP Supply Chain.

O relatório desse ano mostrou que, enquanto 43% das 49 firmas multinacionais consultadas, como L´Oréal, PepsiCo, Philips e Walmart, têm conseguido reduzir suas emissões anualmente, apenas 28% de seus fornecedores, dos 1.864 entrevistados, têm feito o mesmo.

Isso ocorre apesar de 39% das empresas perceberem economias financeiras com seus planos de diminuição de emissões e 34,5% terem se beneficiado com novos fluxos de receita por causa da redução de emissões de seus fornecedores.

Enquanto isso, 30% das companhias declararam que as mudanças climáticas já afetaram suas cadeias de suprimento e 53% dos fornecedores responderam que o fenômeno deve causar ou já está causando aumento nos custos operacionais. Ou seja, ainda é preciso um longo caminho a percorrer.


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