Segundo Flávio Samara, economista da LCA Consultores, Bernanke formalizou procedimentos do Fed
Notícias Relacionadas
Comunidade
Na visão de analistas, Ben Bernanke, presidente do Fed, já havia deixado implícito em ocasiões passadas a vontade de fixar metas para os índices de inflação americana.
A decisão inédita do Federal Reserve (Fed, banco central americano) de fixar metas de inflação para os Estados Unidos em 2% foi encarada com naturalidade por analistas.
Na visão deles, Ben Bernanke, presidente do Fed, já havia deixado implícito em ocasiões passadas a vontade de fixar metas para os índices de inflação americana.
Para Raphael Martello, economista da Tendências Consultoria, Bernanke conseguiu superar divergências internas do colegiado da instituição. "Ele sempre demonstrou simpatia por esse sistema e encontrava resistência de integrantes do 'Board', que temiam que o regime de metas limitasse o atual mandato do Fed", destacou.
Na opnião de Flávio Samara, economista da LCA Consultores, a decisão do Fed, divulgada ontem, simbolizou a formalização do procedimento da entidade.
"Em termos práticos, a medida não tem impacto no curto prazo. Essa meta de 2% era implícita para o mercado e as atas passadas davam a entender que os índices inflacionários ao redor desse número eram condizentes com a política monetária desejada pelo Federal Reserve", comentou.
Segundo Martello, o regime de metas afina os procedimentos do Fed com os de outros bancos centrais. "Economias mais maduras tendem a ter esse padrão. No BCE e no Banco da Inglaterra é assim. Depois da crise teve muita gente argumentando que a taxa dos Estados Unidos poderia ser mais elevada, ficando em torno de 3% para dar mais margem em crises financeiras", explicou.
O Banco Central (BC) do Brasil adota metas desde 1999, quando o Plano Real esteve ameaçado pelo crescimento da inflação. No ano passado, a inflação oficial, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficou no limite da meta, em 6,5%.
Juros baixos
Por outro lado, os economistas entendem que a sinalização mais importante do Fed foi a intenção de não mexer nos juros até 2014.
Apesar disso, Samara reflete que a autoridade americana pode rever o posicionamento antes do prazo. "O Fed trabalha com os dados divulgados para mensurar as estratégias e as perspectivas para a taxa básica. Se a conjuntura se a alterar nos próximos meses, há a possibilidade de mudanças", ponderou.
Comentários









