Santorum defende a "Guerra ao Terror" da era George W. Bush, com a manutenção dos gastos militares e permanência de tropas no Iraque
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Segundo colocado na prévia de Iowa, ex-senador surge como nome forte na briga pela sucessão de Obama.
Não se fala de outro assunto nos blogs políticos dos Estados Unidos. Com a diferença de apenas oito votos, num universo de 60 mil eleitores, o advogado, ex-deputado e ex-senador pela Pensilvânia, Rick Santorum, não ganhou, mas roubou a cena da primeira prévia para a escolha do candidato republicano à Casa Branca.
No "caucus" (assembleia de eleitores) de terça-feira, Santorum, de apenas 54 anos, foi o único candidato a rivalizar com o grande favorito do Partido Republicano até agora, Mitt Romney.
Superou inclusive outro nome forte, o combativo deputado Newt Gingrich, ainda na linha de frente da disputa pela vaga do possível sucessor de Barack Obama na presidência.
Na visão de muitos analistas políticos, Santorum foi feliz ao catalisar os votos "anti-Romney". O ex-governador de Massachusetts é visto como moderado, dentro de um partido que ruma cada vez mais para a extrema direita.
Outra corrente destaca o trabalho minucioso do pré-candidato para o caucus de Iowa. Nos últimos dias, Santorum visitou 99 cidades do estado, algumas em mais de uma ocasião.
A estratégia rendeu resultado, a um custo muito inferior ao da concorrência. Enquanto Rick Perry gastou US$ 817 em cada um 12.604 votos recebidos, Santorum pagou só US$ 1,65 em cada uma das 30.007 afirmativas. Romney, que teve 30.015, teve custo de US$ 113 por voto, segundo cálculo do blogueiro político Michael Li.
Nas primeiras pesquisas de opinião, o ex-senador já aparece na terceira posição para a próxima prévia, em New Hampshire, no dia 10, perdendo de longe para Romney, muito popular ali por haver governado o estado vizinho, ambos na Nova Inglaterra (Costa Leste).
Ron Paul, o governador texano que aparece em segundo lugar, cogita abandonar a candidatura, o que pode catapultar Santorum na próxima etapa da disputa.
Kennedy "neocon"
Espécie de John Fitzgerald Kennedy às avessas, Santorum é um típico filho de imigrantes católicos, meio irlandês, meio italiano, com um discurso que agrada em cheio a ala mais conservadora dos republicanos, os "neocons", recebendo elogios inclusive da ícone do movimento Tea Party, a ex-governadora do Alasca, Sarah Palin.
Seu ideário político defende a "Guerra ao Terror" da era George W. Bush, com a manutenção dos gastos militares e permanência de tropas no Iraque e Afeganistão. Não por acaso, seu slogan eleitoral é "The Courage to Fight For America" ("A Coragem para lutar pelos Estados Unidos").
No campo econômico, o discurso de Santorum soa um tanto confuso. Defensor do livre comércio, o pré-candidato baseia sua plataforma, por outro lado, no "Made in America", que pretende restabelecer a competitividade do país com estímulo ao empreendedorismo das famílias "a primeira economia", como diz seu programa de governo.
O ex-senador defende ainda imposto zero para a indústria, simplificação de tributos para pessoas físicas e jurídicas e corte nos gastos sociais, sobretudo em seguro-desemprego e saúde, duas bandeiras de Obama.
Mas como vai cortar US$ 5 trilhões em cinco anos do orçamento, sem aumentar impostos dos mais ricos, nem reduzir gastos militares, isso Santorum ainda não conseguiu explicar.
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