Quem leu somente a “última linha” do balanço da Rodobens Negócios Imobiliários não tem um retrato fiel do desempenho da empresa.
Em entrevista exclusiva ao Brasil Econômico On-line, Luciano Guagliardi, diretor de RI, explicou o contraste entre a retração no lucro e o vigor operacional.
Ao mesmo tempo em que as vendas contratadas atingiram R$ 152,194 milhões, um aumento de 48% sobre o ano passado, o lucro líquido foi 92% menor, de R$ 2,277 milhões, na comparação com o mesmo período em 2008.
O motivo da conta não ter acompanhado o recorde no número de unidades lançadas e também vendidas está na decisão da incorporadora em atrasar o reconhecimento de receitas, com o objetivo de evitar riscos do financiamento ao consumidor.
Guagliardi afirma que a Rodobens aguarda a assinatura do chamado "Plano Empresário" para então iniciar as obras. Assim, terá assegurado o repasse de recursos da Caixa Econômica Federal, oriundo dos financiamentos, à medida que a obra avança.
"É uma postergação de receita. Seguramos o empreendimento lançado, sem construir", afirmou, ressaltando a postura conservadora da empresa. "O plano do governo ‘Minha Casa, Minha Vida' foi lançado em abril. Todos os participantes do setor estão numa curva de aprendizagem. A própria Caixa também".
O executivo enfatiza que esse será um movimento pontual que se estenderá até o final do ano. Mas, posteriormente, permitirá um raio de manobra interessante à Rodobens, pois poderá ditar o ritmo de oferta de lote de unidades em cada empreendimento.
Isso porque já são 23 projetos protocolados na Caixa com análise definitiva para todas as 13 mil unidades - Valor Geral de Vendas (VGV) potencial de R$ 1 bilhão.
"Estamos sofrendo tudo de uma vez só. Para depois recuperarmos em 2010. Todo dia é corpo a corpo para assinar tudo até dezembro. Metade do que falta estará assinado até o final do ano. Em 2010, teremos todas essas pendências resolvidas", afirmou Guagliardi.
Modelo de negócios
Questionado sobre a demora das próprias instituições na aprovação dos projetos, o diretor de RI destacou a diferença entre o modelo de negócios da Rodobens e o de outros incorporadores imobiliários como justificativa para alguns atrasos.
"Não estamos em metrópoles - estamos descentralizados. Estamos em cidades que, em alguns casos, não há condomínio fechado - especialidade da empresa. Assim, atrasos decorrem da falta de parâmetros, que prejudica a comparação de projetos".
Perspectivas
Para 2009, a meta interna ("não é guidance"), planejada em 2007, é de um total de R$ 800 milhões de VGV lançado (parte Rodobens). Para 2010, a expectativa é de R$ 1,2 bilhão.
Como a incorporadora tem reduzido o preço por empreendimento, em linha com a estratégia de se adequar ao plano habitacional do governo, isso significa um aumento forte no número de unidades ano a ano.
Considerando tais montantes, a companhia estima uma meta de entre 10 mil e 11 mil unidades neste ano, com a necessidade de aumento para cerca de 16 mil unidades no ano que vem - 50% de expansão. "A tendência é sem dúvida positiva", sentenciou o executivo.
No terceiro trimestre, o preço médio de lançamento foi de R$ 73 mil. No período compreendido entre janeiro e setembro, a incorporadora já lançou um VGV de R$ 447,93 milhões (parte Rodobens), em 6.095 unidades.
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