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Romi faz oferta pública de ações pela Hardinge

Dubes Sônego   (dsonego@brasileconomico.com.br)
30/03/10 09:18


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Depois de uma série de tentativas de negociação direta com a direção da Hardinge, a Romi, uma das maiores fabricantes brasileiras de máquinas ferramenta, máquinas para plásticos e fundidos e usinados, finalmente colocou uma oferta pública de ações pela concorrente americana, listada na Nasdaq. O valor oferecido é de US$ 8 por ação, ou US$ 92 milhões pelo controle total da companhia.

De acordo com Livaldo Aguiar dos Santos, diretor-presidente da Romi, a expectativa é de que a diretoria da Hardinge pelo menos tope sentar para discutir um acordo. E abra as portas para uma análise mais aprofundada de números internos da companhia, não divulgados nos balanços.

"Se eles realmente acreditam que a companhia vale mais que US$ 8 por ação, que nos permitam fazer uma due diligence. Pelos números publicados a que temos acesso, estamos oferecendo um valor justo", diz o executivo.

Antes de tornar a oferta pública, a Romi tomou a precaução de contratar uma companhia nos Estados Unidos para sondar o humor dos acionistas em relação à oferta, a agente de informações Innisfree M&A.

Segundo Livaldo, a respostas foram positivas. Mas os acionistas gostariam de ver o que era então um anúncio de intensões tornar-se um fato, como aconteceu agora, com a oferta pública. "Agora, poderemos efetivamente entender a aderência à oferta", diz Santos. O objetivo, segundo ele, é a compra de pelo menos dois terços das ações da Hardinge.

No início de fevereiro, a Romi tornou pública a intenção de comprar a companhia americana com uma oferta de US$ 8 por ação, que, na ocasião, representava um prêmio de 46% sobre o valor das ações.

Dias depois, a direção da Hardinge soltou comunicado dizendo que considerava a proposta "grosseiramente inadequada e oportunista". Em meados de 2007, no auge, as ações da companhia americana chegaram a valer quase US$ 40, o que dava a ela valor de mercado superior a US$ 460 milhões.

O tom incisivo da resposta, segundo Santos, não significou uma negativa definitiva. Refletiu sim um padrão, que poderia ser verificado em uma série de outras respostas à ofertas de aquisição em avaliação atualmente nos Estados Unidos. "É uma diferença cultural", afirma.

Desde o dia 23, as ações da Hardinge estão cotadas acima de US$ 9, pelo menos um dólar a mais que a oferta da Romi. Porém, Santos avalia que, como o número de transações diárias é pequeno, a venda de um acionista isoladamente poderia derrubar o preço.

Ressalva

A oferta pública feita pela Romi traz uma cláusula que condiciona a compra à queda do plano de direitos de acionistas, aprovado pela Hardinge em meados de fevereiro, para dificultar uma tomada hostil de controle, como a que a Romi está tentando agora.

O plano lançado pela direção da companhia americana previa a distribuição, no dia 1º de março, de opções de compra de um lote preferencial de ações, a US$ 35 por ação. Estas ações devem ser adquiridas, pelo dobro do valor de mercado, por qualquer grupo ou pessoa que adquira mais de 20% das ações com direito a voto da Hardinge. Os papéis garantem ainda descontos aos portadores na compra das ações da companhia ofertante.

Balanços

Em seu último balanço, relativo ao quatro trimestre do ano passado, a Hardinge registrou queda de 26% nas vendas, na comparação com o mesmo período de 2008, para US% 56,6 milhões. Em 2009 todo, o tombo no faturamento foi de 38%, para US$ 214,1 milhões.

No último trimestre, a entrada de pedidos cresceu 9% em relação ao trimestre anterior, para US$ 50,9 milhões. Mas, no ano, ficou em US$ 175 milhões, 49% abaixo do volume alcançado em 2008. Com isso, mesmo após uma série de ajustes na estrutura de custos, o prejuízo da Hardinge, em 2009, foi de US$ 33 milhões, pouco abaixo das perdas de US$ 34,3 milhões de 2008.

A Romi, por sua vez, conseguiu reverter no último trimestre do ano passado as perdas acumuladas nos três trimestres anteriores. E fechou o ano com lucro de R$ 12,8 milhões, mesmo com um recuo forte da margem Ebitda, de 17,6%, em 2008, para 6,1%, no ano passado.

Em ritmo bem mais aquecido que o da Hardinge, a Romi recebeu no último trimestre de 2009 encomendas que totalizam R$ 246,7 milhões, o que fez do período o segundo melhor trimestre na história da companhia.


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