Maior companhia brasileira de saneamento básico, com receita de R$ 6,7 bilhões no ano passado, a Sabesp está diversificando as atividades para reforçar o caixa e o potencial de investimentos.
Porém, do ponto de vista geográfico, pretende limitar suas operações basicamente ao mercado onde já está presente, o do estado de São Paulo.
A justificativa para o fato é simples. Além da necessidade de universalizar os serviços de abastecimento de água, coleta e tratamento de esgoto, Gesner de Oliveira, presidente da companhia, afirma que estão surgindo uma série de oportunidades em tratamento de resíduos e geração de energia, que a Sabesp pretende aproveitar nesta década, antes de brigar por concessões de água e esgoto em outras regiões do país.
"Ampliando nossa atuação no estado, conseguimos ganhos de escala", afirma o executivo. Os ganhos seriam menores com uma diversificação geográfica.
Na área de energia elétrica, por exemplo, uma das alternativas que já começam a sair do papel é o uso do desnível de barragens de reservatórios de água para a construção de pequenas centrais hidrelétricas. Duas já foram licitadas. Nos próximos três anos, um consórcio formado pela Tecniplan Engenharia e a Servitec Investimentos e Participações, deverá colocar em operação 7 MW.
Pelo contrato, pouco mais de 20% da receita gerada com a venda da energia ficará com a Sabesp. E existe a possibilidade de ganhar com a comercialização de créditos de carbono.
Segundo Gesner, o potencial de barragens de todos os reservatórios da Sabesp está sendo mapeado atualmente e novos negócios deverão sair daí.
Outra atividade com demanda por parte das prefeituras, afirma o executivo, é a de macrodrenagem. Um exemplo é o programa Canal Limpo, da Prefeitura de Santos. Desenvolvido em parceria como a Sabesp, ele prevê a desobstrução de canais e galerias de águas pluviais que deságuam no mar.
Investimentos em aterros sanitários, que também vêm sendo estudados, poderão gerar dinheiro por si mesmos e abrem a possibilidade futura de ganhos com geração de energia, pela queima de resíduos sólidos.
"Queremos ser 300% onde já estamos: 100% em abastecimento de água, 100% em coleta de esgoto e 100% em tratamento de esgoto. E, onde nos deixarem, 500%", afirma o executivo, referindo-se às área de energia e resíduos sólidos.
Hoje, a Sabesp é responsável pelo abastecimento de água, pela coleta e tratamento de esgoto em 366 dos 645 municípios de São Paulo. Em 125 deles, os serviços já foram universalizados. A meta até 2018 é ter cobertura de 100% em todas as áreas onde está presente, plano que tem aportes na faixa de R$ 1,8 bilhão por ano.
Não à toa, mesmo apontada por analistas como uma das poucas estatais do setor em condições de consolidar o mercado, a Sabesp pretende se limitar a cruzar as fronteiras do Estado de São Paulo apenas para vender serviços e tecnologias à outras empresas do setor.
Neste sentido, a companhia já tem uma série de acordos, em estados como Espirito Santo, Rio Grande do Sul e Paraíba, e também em outros países, como México, Espanha e Israel.
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