Gesner Oliveira, presidente da Sabesp: novos negócios para fora do estado de São Paulo e investimentos de R$ 1,8 bi em 2011
Comunidade
Objetivo da futura SabespPar é reduzir as amarras legais da estatal paulista para ampliar a atuação nacional e internacional.
A atual gestão da Sabesp, comandada por Gesner Oliveira, vai deixar à sucessora um plano de negócios para a criação de um companhia de participações e um plano de investimentos de R$ 1,8 bilhão para 2011. "É o dobro dos investimentos realizados no início de nossa gestão", diz Oliveira.
A companhia de participações permitiria à estatal driblar restrições na busca por novos negócios além das fronteiras do Estado de São Paulo, seu controlador e razão de ser. O dinheiro para tocar os projetos seria captado no mercado.
De acordo com Nilton Seuaciuc, superintendente de novos negócios da Sabesp, foi realizado um levantamento interno que chegou a 32 produtos e serviços com potencial de mercado em outros estados brasileiros e no exterior. A lista inclui desde consultoria em operação de sistemas convencionais de tratamento de água até a confecção de peças especiais de aço para adutoras de ferro fundido e aço.
A partir do levantamento, a Sabesp encomendou um plano de negócio à consultoria Ernest & Young, que receberá pelo serviço R$ 450 mil e deverá entregar o projeto em dezembro.
Hoje, a Sabesp já tem uma série de contratos em andamento fora de São Paulo. Mas a grande maioria deles surgiu de consultas dos propícios clientes. Se fosse prospectar negócios ativamente, diz Seuaciuc, a companhia teria que justificar até mesmo as viagens da equipe fora de São Paulo, sua área de cobertura.
Novos mercados
Em Honduras e no Panamá, a companhia dá consultoria para a redução de perdas de água, que renderão pouco mais de US$ 10 milhões. Em Maceió, tem um contrato semelhante, com valor estipulado em R$ 25 milhões.
No Espírito Santo, presta consultoria em tecnologia de automação de estações de tratamento de água, e tem homologados os consórcios que construirão duas pequenas centrais hidrelétricas (PCHs), aproveitando a queda d'água de reservatórios em São Paulo.
Na próxima quarta-feira, dia 1º de dezembro, a companhia assina ainda o primeiro contrato de consultoria para o desenvolvimento de um plano municipal de saneamento, com a prefeitura de Barro Alto (GO). E finaliza o edital que permitirá o aproveitamento do biogás da estação de tratamento de esgoto de Barueri para a geração de energia.
Em três anos, contados a partir de 2011, a estimativa é de que a SabespPar, como seria chamada, teria potencial para gerar receitas anuais de cerca de R$ 100 milhões. Como base de comparação, vale dizer que a receita anual da Sabesp hoje gira em torno de R$ 7 bilhões.
O valor é relativamente pequeno. Mas no longo prazo, o potencial da nova empresa é grande. O contrato com a prefeitura de Barro Alto, por exemplo, renderá R$ 500 mil. Não é um caso isolado. Até 2014 todos os municípios brasileiros terão que elaborar um plano de saneamento. E menos de 10% do total foram capazes de fazê-lo até agora, por falta de capacitação técnica.
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