Prioridade do grupo São Martinho na safra 2010/11 continuará sendo o controle de custos
Comunidade
Fabio Venturelli, presidente do Grupo São Martinho, mantém uma postura “pé no chão” quanto ao assunto fusões e aquisições.
O executivo, no entanto, vê com bons olhos a inevitável consolidação da indústria sucroalcooleira, que integra a lista dos setores mais afetados pela escassez de crédito ao longo de 2009.
Mas foi exatamente este cenário crítico que acelerou o movimento de integração entre grandes grupos, deixando o setor cada vez mais próximo de uma consolidação.
"Este ano, as fusões foram decorrentes unicamente de uma oportunidade gerada pela crise", avaliou Venturelli, em entrevista ao Brasil Econômico On-line.
Para o executivo, à frente do grupo há cerca de dois anos, uma integração a outro player só faz sentido se agregar valor e resultar em ganhos de sinergia.
"Adquirir um grupo endividado não faz sentido. Nosso pensamento é de que um mais um deve resultar em três ou quatro".
Sem poder adiantar alguma possível fusão ou aquisição no curto prazo, Venturelli garante que a companhia está sempre avaliando oportunidades e que não são poucos aqueles que batem à porta da São Martinho para negociações.
"Antes de adquirir ou se unir a alguém, analisamos questões de logística, equivalência nos métodos de produção, localização e endividamento", acrescenta.
Venturelli é cauteloso também quanto à entrada de muitos grupos estrangeiros no setor, que vêm participando da disputa por usinas brasileiras.
Na avaliação dele, os indianos levam vantagem nessa concorrência, por já atuarem profissionalmente no setor.
Consequências de uma euforia
O primeiro semestre de 2009 pode ser considerado um dos períodos mais críticos para a indústria de açúcar e álcool no Brasil.
O País viu os preços do etanol despencarem no início do ano. Com a necessidade de fazer caixa para atravessar a crise, as usinas venderam sua produção a qualquer preço, o que levou o etanol a níveis extremamente abaixo dos custos de produção.
Atualmente, o consumidor paga caro pelo produto, pois as usinas buscam recuperar essa perda. "O que acontece hoje é um movimento de correção", ressalta Venturelli, acreditando que, em 2010, os preços do etanol retomem o patamar da estabilidade.
O executivo atribui ainda os expressivos efeitos da crise no setor à forte euforia vista em 2006, quando não havia nenhuma barreira para a entrada de novos players.
"Assistimos a uma mudança no modelo tradicional desta indústria. Executivos e grupos com capital para investir pensavam apenas no sucesso do etanol, sem fazer ideia das particularidades pertinentes à cultura de cana", assinala.
Ele lembra que, como crédito não era problema, na época, o "sonho de revolução" de criação de um mercado global de etanol foi incentivado por todos os lados, inclusive pelo governo.
"Sem conhecimento técnico e experiência, muitos desses novos entrantes quebraram no meio do caminho. Conseguiram sobreviver aqueles que tinham tradição e solidez".
Safra 2010/2011
Com três usinas em operação e capacidade de moagem de 13,2 milhões de toneladas de cana-de-açúcar por ano, a São Martinho se diz preparada para enfrentar a próxima safra.
"Nos preparamos em 2009, eliminando qualquer pendência que pudesse existir. Estamos numa situação confortável em termos financeiros e operacionais e com condições de oferecer um cenário seguro aos investidores", afirma Venturelli.
Segundo ele, a prioridade do grupo na próxima safra continuará sendo o controle de custos. A São Martinho encerrou setembro com uma dívida líquida de R$ 981,8 milhões, considerada "sob controle" pelo seu presidente.
"Acredito na retomada geral do setor na próxima safra, com a volta do crédito e o aumento do consumo", aponta Venturelli, que aposta num cenário ainda mais favorável para o açúcar ante o etanol.
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