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França

Sarkozy enfraquecido abre espaço para socialistas

Humberto Domiciano   (hdomiciano@brasileconomico.com.br) | Colaborou Felipe Peroni
16/01/12 16:01


Socialistas apostam suas fichas em François Hollande. Sarkozy defende reformas e ajustes fiscais

Socialistas apostam suas fichas em François Hollande. Sarkozy defende reformas e ajustes fiscais

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Afastados do poder desde 1995, quando François Mitterrand deixou a presidência após 14 anos, os socialistas apostam suas fichas em François Hollande.

Faltando pouco mais de três meses para as eleições na França, o atual presidente Nicolas Sarkozy enfrenta um quadro complicado para tentar a reeleição.

A crise econômica global afetou o país, elevando a taxa de desemprego para 9,3%.

Além disso, o recente rebaixamento do rating francês pela agência Standard & Poor's deve complicar ainda mais o quadro eleitoral.

Afastados do poder desde 1995, quando François Mitterrand deixou a presidência após 14 anos, os socialistas apostam suas fichas em François Hollande.

O ex-secretário geral do partido, também ex-marido da candidata derrotada por Sarkozy em 2007, Ségolène Royal, ganhou a indicação após o escândalo que afastou Dominique Strauss-Kahn da presidência do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Na ocasião, Strauss-Kahn apresentava boas chances de concorrer contra o atual presidente, mas acabou sendo varrido pelo polêmico caso de assédio sexual, em um hotel de Nova York.

Para Walter Hupsel, professor do curso de relações internacionais da Faculdade Santa Marcelina, não há diferenças substanciais entre Hollande e Strauss-Kahn. "O ex-chefe do FMI era o nome mais forte. Mas é um burocrata, assim como o Hollande. A pauta do partido socialista segue a mesma e agora em uma perspectiva muito mais favorável", destacou.

Por sua vez, Nicolas Sarkozy chegará às eleições afinado com o discurso europeu de reformas na economia e disciplina fiscal. "É difícil passar alguma reforma em ano eleitoral, é complicado empreender mudanças drásticas em curto prazo", ponderou Hupsel.

Já na visão de Didier Cossin, especialista em finanças da escola de negócios IMD, a economia não deve estar entre os temas centrais da disputa pelo poder. "O debate político não está sendo baseado por essas questões econômicas. Mas a realidade vai se impor, e os candidatos vão ter que se adaptar. Hoje, não sei qual deles terá mais êxito em enfrentar a crise", comentou.

Outro tema que deve ser explorado durante os debates eleitorais é a relação da França com os estrangeiros. Sarkozy enfrentou fortes protestos na periferia de Paris, onde residem etnias muçulmanas, em 2010.

Para o professor Walter Hupsel, os socialistas teriam vantagem neste quadro. "O ganho da esquerda talvez seja flexibilizar a questão dos direitos humanos. Na França, 20% dos jovens estão desempregados, boa parte deles muçulmanos", analisou.

Ainda no quadro sucessório, temos Marine Le Pen, filha do ex-candidato Jean Marie Le Pen, um radical da extrema direita, que teve bom desempenho em 2002 e rivalizou diretamente contra o ex-presidente Jacques Chirac.

Recentemente, o ex-jogador de futebol Eric Cantona anunciou que poderia ser candidato, tendo como bandeira a questão da habitação. No entanto, o atleta desistiu de entrar na corrida.


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