Após o fechamento em leve queda de 0,10% na sexta-feira (16/3), aos 67.684 pontos, o tom do Ibovespa na próxima semana deve ser de realização de lucros.
A opinião é do analista da Amaril Franklin, Eduardo Machado, que acredita na possibilidade dos investidores embolsarem seus lucros já que o índice alcançou "patamares de resistências importantes" e registrou "alta acentuada" nos últimos 15 dias.
"Devido às altas o mercado volta para a normalidade. O mercado já vinha perdendo força e vários papéis tiveram ganho específico nos últimos pregões, o que sinaliza a possibilidade de uma realização mais intensa", afirma.
"Quando o mercado registra muitas altas em um espaço curto de tempo, o investidor que está de fora fica com receio de que haja realização e ele tenha prejuízo ou tenha que aguardar a recuperação", completa.
De acordo com Machado, é possível que a realização faça com que o Ibovespa volte para os 63 mil pontos. "Ainda não estamos vendo realização mais intensa porque os principais papéis não entraram em tendência baixista, por enquanto", explica.
No pregão de sexta-feira, as ações da Vale (VALE5) fecharam em alta de 1,08%, para R$ 41,90, e os papéis da Petrobras (PETR4) subiram 0,53%, para R$ 24,35.
Para Machado, enquanto esses ativos se mantiverem nesses níveis de preços, o mercado se movimentará de forma lateral, "ensaiando a realização".
Análise técnica
De acordo com a análise técnica de Leandro Ruschel, sócio da Leandro & Stormer, apesar do mercado já ter ruído bastante ao longo do ano, não há sinal gráfico de reversão de tendência no momento.
"Ao longo da semana houve rompimento da resistência e nos últimos dias o índice tem corrigido com pouca força vendedora. A tendência é de alta e a perspectiva é positiva", afirma Ruschel.
O analista explica que dentro de uma tendência de alta é normal que haja uma correção, mas ela não deve fazer com que o índice ultrapasse seu suporte de 66 mil pontos.
"Vejo como um cenário possível uma pequena correção e a retomada de alta", afirma. "Não podemos deixar de mencionar que o mercado americano rompeu resistência e abre espaço para os 14.400 pontos, que é o próximo topo histórico", conta.
O índice Dow Jones encerrou o pregão de sexta-feira aos 13.232 pontos e o Standard & Poor's 500 teve a sua melhor semana em três meses, com alta de 2,4%. Com isso, o S&P 500 atingiu 1.404 pontos, maior patamar desde maior de 2008.
"Geralmente os mercados andam bem correlacionados e isso é uma força positiva para o Ibovespa também", afirma.
Atualmente, o topo histórico do Ibovespa é de 73.900 pontos.
Destaques
Para Eduardo Machado, as ações que devem se destacar nos próximos cinco pregões são as ordinárias (TNLP3) e preferenciais (TMAR5) da Telemar, devido à reestruturação anunciada pela companhia. "Há uma tendência de alta bem consistente", garante o analista.
As ações ordinárias da Tim (TIMP3) vem chamando a atenção de Leandro Ruschel pelo rompimento seguido de topos. O fechamento de sexta-feira em R$ 11,11 é o nível de preço mais alto já alcançado pelo papel, que rompeu os R$ 10,90 e, por isso, sugere a continuação de alta.
Outra ação destacada por Ruschel é da Le Lis Blanc, também por seguidos rompimentos de resistência. O último deles foi também na sexta, aos R$ 35, quando o papel encerrou o pregão em R$ 36,50, após alta de 5,03%.
"O movimento sugere continuação da alta para semana que vem", diz Ruschel.
Já as baixas, segundo Machado, devem ser protagonizadas pelas ações do setor de construção civil, devido à volatilidade natural dos papéis, que devem sofrer mais na realização de lucros devido aos resultados negativos já divulgados por algumas companhias e à expectativa de balanços de companhias como Cyrela, Rossi e Tecnisa.








