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Setor de cartões é alternativa de aplicação em consumo

Thais Folego   (tfolego@brasileconomico.com.br)
30/03/10 08:40


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Os papéis das duas maiores empresas de meios de pagamento eletrônico brasileiras — Cielo (ex-VisaNet) e Redecard — têm demonstrado um desempenho bem acima do mercado.

E, segundo analistas, são uma boa alternativa de aplicação para quem quer investir no crescimento do consumo no Brasil.

"É a forma mais barata de investir em consumo, pois os múltiplos de Redecard e Cielo estão mais baixos do que os de todas as empresas de varejo", observa Wagner Faccini Salaverry, sócio-diretor do Banco Geração Futuro de Investimento.

Segundo ele, a relação entre o preço (valor de mercado atual) em relação ao lucro líquido dos últimos 12 meses da Redecard, por exemplo, era de 27 vezes em maio de 2008 e hoje é de metade desse múltiplo.

Pode parecer estranho, mas as duas ações começaram a se descolar do Ibovespa - índice de referência da bolsa - no dia em que foi anunciada a estratégia de entrada de um novo concorrente no mercado de credenciamento de estabelecimentos comerciais para aceitação de cartões: o Santander em parceria com a GetNet.

"Havia o medo de uma entrada agressiva do Santander nesse mercado, com preços menores, o que diminuiria a rentabilidade dessas empresas", explica Simone Freire, analista da Geração Futuro. "O banco indicou que não vai ganhar mercado a custo de taxas", completa Mariana Taddeo, analista da Link Investimento.

No último dia 18, a instituição espanhola detalhou como será sua atuação, acalmando os temores dos investidores, que intensificaram a aposta nos papéis. Do dia 17 até ontem, as ações da Redecard subiram 11,86% e as da Cielo, 9,95%, enquanto o Ibovespa avançou apenas 0,31%.

"O projeto do Santander tem foco no relacionamento do banco com o cliente. O credenciamento está dentro de um pacote de serviços financeiros para a pessoa jurídica", comenta Simone. Ou seja, a princípio, o banco estaria concorrendo com outros bancos, e não diretamente com as duas credenciadoras.

Histórico

Os papéis de Cielo e Redecard sofreram bastante no ano passado, principalmente no segundo semestre, não acompanhando a retomada da bolsa brasileira.

Isso ocorreu por conta da divulgação de relatórios do Banco Central sobre o setor de cartões de crédito, indicando que o governo queria regular o mercado, além da entrada de novos participantes no negócio de credenciamento, motivados pelo fim da exclusividade entre a bandeira Visa e a Cielo - prevista para julho deste ano. Essas notícias geraram pressão nas ações.

Segundo Mariana, o anúncio da Visa de que só vai dar autorização para credenciar estabelecimentos para a bandeira às empresas que sejam ou estejam ligadas a instituições financeiras desestimula a entrada de processadoras que tinham anunciado a entrada nesse mercado. "Pois sem Visa elas perdem competitividade", diz Mariana.

Tanto a Geração Futuro quanto a Link têm perspectivas positivas para os papéis, com preferência pela Cielo. A Link tem preço-alvo de R$ 35,60 para Redecard e R$ 22,70 para Cielo até dezembro. A Geração tem preço-alvo de R$ 23,11 para Cielo, enquanto Redecard está em revisão.


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