Fusões foram o destaque do ano, assim como os problemas com o Speedy, da Telefônica
Comunidade
As fusões e aquisições foram o grande destaque do setor de telecomunicações no ano de 2009.
Oi e Brasil Telecom, TIM e Intelig, Vivendi e GVT trouxeram grandes surpresas ao mercado, assim como todos os problemas da Telesp, controlada da espanhola Telefónica, com o seu serviço de banda larga speedy.
O Índice de Telecomunicações (Itel) da BM&F Bovespa não acompanhou o ânimo e deve fechar 2009 com um desempenho inferior ao Ibovespa.
No acumulado do ano, até 17 de dezembro, o Ibovespa, principal índice acionário brasileiro, avança 78,6%, enquanto o Itel cresceu "apenas" 44%.
Para os analistas de mercado ouvidos pelo Brasil Econômico On-line, o grande evento do ano para o setor foi a fusão entre Telemar e Brasil Telecom.
Em 8 de janeiro, a Telemar Norte-Leste assumiu o controle da Brasil Telecom Participações. Já em 23 de junho ocorreram as Ofertas Públicas de Aquisição (OPAs) aos acionistas minoritários da BRTP3 e BRTO3, enquanto em 16 de novembro foi concluída a incorporação da BrT pela BRTO.
"Dessa forma, em 2009, o grupo OI assumiu como prioridade a consolidação, tanto societária quanto operacional, de sua nova subsidiária e, para tanto, uniformizou práticas contábeis e, sobretudo, comerciais.
Assim, a BrT passou a adotar uma estratégia mais agressiva em sua região, que resultou, por um lado, na aceleração do crescimento de sua base de assinantes de telefonia móvel, mas, por outro, no aumento de gastos comerciais e de descontos concedidos, e, consequentemente, na queda das margens operacionais da BrT", afirma a analista Jaqueline Lisson da Fator Corretora.
Também em 2009, a Telesp viveu seu "inferno astral", de acordo com a especialista. Isso porque a pane no serviço de banda larga Speedy voltou a ter problemas em março, "mas foi em abril que a crise de consolidou: foram seis dias de problemas que impediam (total ou parcialmente) a conexão dos usuários à rede de banda larga".
Outros momentos de problemas ocorreram, mas o auge da crise foi quando, em 19 de junho, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) proibiu a venda de novas assinaturas, que voltaram a ser comercializadas apenas em 26 de agosto.
"Todos esses fatores refletiram-se no comportamento das ações da companhia, que tiveram desempenho muito inferior ao Ibovespa e ao Itel", diz a analista.
De volta às aquisições ocorridas ao longo do ano, a TIM anunciou a compra da Intelig, consolidando sua entrada no segmento de telefonia fixa. Mas a grande surpresa, mesmo, ficou por conta da GVT.
Isso porque essa foi uma das maiores disputas - e uma das maiores surpresas - de 2009. No dia 8 de setembro a francesa Vivendi fez uma oferta de aquisição da totalidade das ações da GVT a R$ 42 por ação.
No início de outubro, entretanto, a Telesp fez uma contra-oferta, a R$ 48 por ação e logo depois elevou sua própria oferta a R$ 50,50. Para muitos analistas e investidores, era o fim da linha para a Vivendi.
Entretanto, em 15 de novembro veio a grande surpresa: a Vivendi lançou uma oferta de R$ 56 por ação da GVT e foi declarada a vencedora.
"Após o anúncio, as ações da GVT, que performavam abaixo do Ibovespa no ano, subiram fortemente para patamares próximos ao valor da oferta", afirma Jaqueline.
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Com a entrada no mercado brasileiro da Vivendi, o setor de Telecomunicações passou a contar com 05 grandes grupos (OI, TIM, CLARO, TELEFÔNICA E VIVENDI), o que deve propiciar aumento da concorrência e certa vantagem ao consumidor.
O Brasil é um país de dimensão continental e as empresas para sobreviverem nesse mercado tem de ampliar suas economias de escalas, inovar constantemente e investir pesadamente em todas as áreas.
Jair Perottoni - Economista