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Educação

Setor educacional pode reviver bom desempenho em 2010

Conrado Mazzoni   (cmazzoni@brasileconomico.com.br)
20/12/09 07:04


Antes da abertura de capital, o IUNI poderá buscar uma operação de private equity, define Rodrigo Galindo

Antes da abertura de capital, o IUNI poderá buscar uma operação de private equity, define Rodrigo Galindo

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Uma nova rodada de consolidação aguarda as empresas do setor educacional brasileiro em 2010. A demanda reprimida por ensino no Brasil é o pilar de um ciclo de expansão.

Em tempos de debate sobre o tão sonhado crescimento sustentado brasileiro, é evidente o gargalo em termos de mão-de-obra qualificada. A expansão da economia demandará essa força de trabalho e a semente disso é a educação.

A penetração atual de graduação no Brasil é de apenas cerca de 20% da população entre os 18-24 anos de idade. Há muita gente com interesse em adquirir serviços educacionais.

Esse pano de fundo tem assistido a um crescimento vigoroso da indústria da educação via aquisições nos últimos anos. Após forte ritmo em 2008, algumas empresas dedicaram este ano a integrar as unidades adquiridas, especialmente em um cenário de crédito mais apertado, fruto da crise.

Para 2010, a perspectiva consensual é de retomada firme da consolidação no setor educacional.

"Há muito espaço para consolidar. Há dez anos, os 15 maiores grupos tinham 13% das matrículas e hoje detêm 27%. Nossa expectativa é que dominem metade desse mercado em mais cinco anos", avalia Daniel Gewehr, analista do setor de educação do Santander.

A análise de Gewehr considera que não existem muitos ativos disponíveis de grande porte, se baseando, sobretudo, nos alvos com menos de mil ou até dois mil alunos em situação "não economicamente viáveis".

O cálculo do analista é que uma instituição de ensino dê margem Ebitda - geração operacional de caixa sobre receita líquida - entre 20% e 25%. Uma instituição bem gerida registra 40% de margem Ebitda.

"O processo de consolidação volta ao patamar de 2008", define Rodrigo Galindo, diretor-presidente do Grupo IUNI Educacional, que, após realizar nove aquisições no ano retrasado, focou em crescimento orgânico neste ano.

A empresa deve retomar o ritmo de compras, com planos de adquirir 12 mil alunos (três instituições) em 2010.

"Já estamos em negociações", antecipa o executivo. O grupo detém hoje cerca de 54.300 alunos (48.737 na graduação e 5.561 na pós-graduação) e deve fechar 2009 com Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de R$ 76,4 milhões - aumento de 25% ante 2008.

Galindo destacou o êxito da operação do IUNI. "Em seis meses, as unidades alvos de aquisição davam 5% de margem Ebitda. Seis meses depois passaram a dar 22% de margem Ebitda, por conta do fim das ineficiências e do modelo de escala".

Em meio ao panorama mais agitado de consolidação, o analista do Santander pondera que a competição tende a subir os preços dos ativos. Para o Sistema Educacional Brasileiro (SEB), dono da rede de ensino COC, nada muda.

"Nossa estratégia muda absolutamente em nada com outros grupos realizando mais aquisições. Temos um foco de crescimento na educação básica e no ensino a distância, ou seja, que dá mais espaço para expansão orgânica", disse Marco Rossi, diretor de RI do SEB.

De acordo com ele, aquisições fazem parte do planejamento estratégico de longo prazo. "Temos R$ 90 milhões em caixa, um bom colchão de liquidez". Somente neste ano, o SEB realizou cinco aquisições e, desde o IPO (Oferta Pública Inicial de Ações, na sigla em inglês), 13 compras.

IPO

Depois de SEB, Anhanguera Educacional, Kroton Educacional e Estácio Participações, há possibilidade de novos grupos ingressando na bolsa de valores, mas não restaram muitos gigantes no mercado.

"Temos recebido diversas abordagens, mas o IUNI ainda precisa crescer mais para buscar um IPO", afirma o diretor-presidente do grupo quando abordado sobre o assunto. Embora a janela do mercado tenha retornado, ela está mais criteriosa, atenta por liquidez.

Antes da abertura de capital, o IUNI poderá buscar uma operação de private equity, um parceiro que capitalize a empresa para viabilizar a operação, explicou o executivo.

Desafio

Daniel Gewehr, do Santander, vê o desafio do setor apoiado em três frentes. O risco de execução é, dentro da estratégia de consolidação, crescer receita e aumentar a margem, mantendo a qualidade de ensino - que tende a ser um diferencial no futuro.


Comentários

Humberto, São Paulo/SP | 01/03/10 12:37
Sou professor e tenho duas observações. 1. O olhar voltado a negócios faz com que sejam cumpridos compromissos básicos, como pagamento de salários de professores e funcionários e estruturação de artefatos e equipamentos. 2. Realmente o foco empresarial tira um pouco da função "pesquisa"das instituições. O EAD é uma válvulo de escape para reduzir custo, mas está gerando um problema sério que é a falta de maturação de idéias, haja vista que não temos mais a possibilidade de discutir em sala, grupo ou apresentações o conteúdo da matéria. A educação pode ficar cada vez mais fria e sem despertar a vontade de constestar e evoluir nos alunos. Enfim... só o tempo dirá qual o melhor caminho, mas vale ter caultela.


SERGIO, barra do choça-BA | 03/02/10 09:35
DISCORDO :FAÇO EAD E ME EMPENHO MUITO POIS TENHO OBJETIVOS E METAS A CUMPRIR NAO SOU UM MERO ESPECTADOR DA SITUAÇAO.


Douglas Leal dos Santos, Porto Alegre - RS | 03/11/11 17:37
Acho que a lucratividade está associada sim com a qualidade do ensino que é oferecido por estas instituições. O mercado é implacável, mas não é burro. No caso da Anhanguera, que conheço, há qualidade no corpo docente, no material didático e nas aulas (inclusive com professores locais, que são os tutores). Sugiro a quem se assusta com a expansão da EAD, dar uma lida nas milhares de pesquisas já realizadas sobre o assunto em diversas universidades respeitáveis, para constatar que este caminho é irreversível, necessário e desejável para atender grande parte da população que, se relegada às opções tradicionais de escolarização superior, jamais teria acesso aos cursos presenciais.


Ébano, | 20/12/09 19:48
É triste ver que algo tão importante como a educação é vista como mero negócio nas mãos dos executivos, cuja única preocupação são dados e índices de lucratividade. Qualidade não faz parte de seus objetivos. E a expansão do EAD é a prova cabal disso. É fato que há uma margem pequena de pessoas com acesso ao nível superior, mas simplesmente jogar no mercado toneladas de bacharéis não resolve o problema destas pessoas - que terão dificuldades em encontrar empregos e salários compatíveis com seus anseios - e muito menos com os problemas do país, já que a esmagadora maioria das instituições de ensino superior particulares não produz pesquisa. É lamentável. Acorda Brasil!


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