“Somos tão brasileiros quanto os paulistas. Queremos a Copa, sim”

Pedro Venceslau   (pvenceslau@brasileconomico.com.br) | De Manaus (AM)
23/03/12 13:35


Código Florestal: “Não é  por meio de leis que se conscientiza as pessoas a preservar”

Código Florestal: “Não é por meio de leis que se conscientiza as pessoas a preservar”

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Para Aziz, falta de grandes times não invalida a Arena Amazônia, cujo futuro é problema dos “amazonenses”.

O governador do Amazonas, Omar Aziz (PSD), foi um dos principais personagens da abertura do 3° Fórum Mundial de Sustentabilidade, que começou ontem em Manaus.

Apesar do debate sobre o novo Código Florestal estar na ordem do dia em Brasília (e no próprio evento), ele prefere não se posicionar de maneira contundente em defesa de um dos lados - ruralistas ou ambientalistas.

Mas não esconde sua irritação em relação à ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, que, segundo ele, sequer visitou o estado desde que tomou posse.

Nessa entrevista, ele diz que as obras na Arena Amazônia estarão prontas para a Copa, reclama do preconceito contra seu estado e fala sobre as dificuldades de vender para o sul do país a nova vedete da indústria local, o "bacalhau do Amazonas".

Qual a sua posição no debate sobre o Código Florestal?

Sou a favor e acho que devemos ter um Código Florestal. Mas também sou a favor da geração de empregos e da produção brasileira. Uma coisa deve estar ligada a outra. Não tenho uma opinião formada sobre a discussão histérica que está havendo.

Não acho que os defensores da produção agrícola brasileira são inimigos da natureza. É preciso focar a sustentabilidade de uma maneira diferenciada. Um exemplo é o Rio Negro. Ele é um rio pobre de peixes, mas rico em minério. Só que não podemos explorá-lo sustentavelmente porque o governo federal não deixa.

A despreocupação da ministra do Meio Ambiente (com o Amazonas) é tão grande, que até hoje ela não veio aqui. Na verdade ela veio uma vez com a presidente Dilma, mas voltou no mesmo dia. A ministra não tem grandes preocupações. Se tivesse, estava aqui, debatendo conosco. Se pegarmos o Rio+20, só dois países contribuíram na prática para a sustentabilidade: Noruega e Alemanha.

O sr. acha que a versão do Código Florestal que veio do Senado é a melhor?

Essa é uma decisão que o Congresso tem que tomar, mas não é por lei que se conscientiza as pessoas a preservar. Os países que mais investem em sustentabilidade são aqueles que tem qualidade de vida altíssima.

Como estão as obras da Arena Amazônia para a Copa?

Estamos com 35% da Arena pronta. Os recursos do BNDES já saíram, mas é o estado que está praticamente bancando a obra. Existem divergências profundas com a CGU e o TCU em relação aos custos da obra. Todas as arenas (da Copa) estão com o mesmo problema. Já coloquei claramente que eu não vou comprometer o meu nome por causa dele (TCU).

Quando foi assinado o projeto executivo, o senhor disse que não tinha isso, não aquilo... Teme atrasos?

Não temo. Isso é como escola de samba. O carro alegórico precisa estar pronto para o dia do desfile e não no dia seguinte.

Seu estado não tem time de futebol nem na primeira, nem na segunda, nem na terceira divisão do Campeonato Brasileiro. O estádio não vai virar um elefante branco?

Também não temos time na quarta divisão... Mas Cuiabá também não tem. Nem Natal. Acho que não é por aí. Isso é o Brasil. Somos todos iguais. Não somos diferentes dos paulistas. Não tivemos as mesmas oportunidades ou os benefícios que o Brasil deu ao sul do país. Se tivéssemos tido, teríamos um futebol de primeira categoria. Somos brasileiros. Vocês querem fazer dois tipos de Brasil. Temos direito de fazer a Copa aqui.

O que será feito da Arena Amazônia depois da Copa?

Isso é problema nosso... e do povo amazonense. Isso é uma coisa engraçada. A imprensa fica criando dois brasis. Por que São Paulo é melhor do que o Amazonas? Temos nossos times. O povo amazonense gosta de futebol. Somos muito mais brasileiros do que muita gente que mora no sul do Brasil.

Em tempos de guerra fiscal, o Amazonas acaba sempre sendo alvo de críticas devido aos incentivos fiscais concedidos à Zona Franca de Manaus...

O que mais nos preocupa é a importação de produtos similares aos que são produzidos no Brasil. Estamos deixando de gerar emprego e gerando emprego em outros países. Vou da um exemplo: as motos de 400 cilindradas que são produzidas na Zona Franca de Manaus.

Elas estão sendo importadas da China. Estão entrando 10 mil por mês sem gerar um emprego sequer, e tem estado dando 100% de restituição do ICMS. Temos que importar aquilo que não produzimos. Nosso mercado interno consumidor é muito forte.

Os supermercados paulistas estão ansiosos para vender o bacalhau amazônico, feito com peixes como pirarucu e tambaqui. Quando isso vai acontecer?

O problema é o custo da produção e da logística para levar o peixe até lá. Ele chegaria muito caro ao consumidor de média e baixa renda. O Pirarucu salgado, que é conhecido como bacalhau amazônico, é produzido na região de Maraãn. Para o governador chegar lá, é preciso pousar de jato no município de Tefé e depois pegar um hidroavião.

Imagina para trazer o produto. Não é que a Amazônia seja inviável economicamente para usufruir de suas riquezas. É a logística que é o problema. O que as redes de supermercado querem saber é: temos produção em quantidade suficiente? E o preço? Empresário não faz favor. Ainda não temos como saber disso. Precisamos baixar o custo da produção.

Como o governo pode ajudar os produtores nessa questão logística?

Estamos fazendo. A gente subsidia a indústria de Maraãn e de Fonte Boa, que é outra indústria de pescado que vamos inaugurar agora. O transporte é financiado pelo estado.

Estamos tentando dobrar nossa produção de peixe em cativeiro fazendo lâminas d'água, apesar da questão ambiental ser problemática. No sul do Amazonas, estou fazendo 600 hectares de lâminas d'água para produção de peixe em cativeiro.

*O jornalista viajou a convite do Fórum Mundial de Sustentabilidade.


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