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Aviação

Trip despreza impacto de união da Gol-Webjet

Michele Loureiro   (mloureiro@brasileconomico.com.br)
15/07/11 16:34


Evaristo Mascarenhas, diretor de vendas da Trip: ainda há muito espaço para crescer no mercado brasileiro

Evaristo Mascarenhas, diretor de vendas da Trip: ainda há muito espaço para crescer no mercado brasileiro

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Para executivo, perfil do passageiro de cada companhia aérea é muito diferente, o que ameniza a competição; até o fim do ano, serão lançados dez novos destinos à malha.

A compra da Webjet pela Gol, em uma transação de R$ 310 milhões, não deve impactar nos negócios da concorrente área Trip.

Mesmo com as incertezas sobre a conclusão do negócio em decorrência da espera pela aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), o diretor de marketing e vendas da Trip, Evaristo Mascarenhas, afirmou que as empresas têm perfis diferentes e a união não deve atrapalhar os planos de crescimento da empresa, que prevê alta de 70% neste ano, alcançando uma receita de R$ 1,3 bilhão.

"O movimento de consolidação é natural no mercado de aviação mundial. Mas a Trip tem um público maior de executivos e a Webjet, por sua vez, tem maior participação de viajantes a turismo. Por ter um perfil diferenciado, acredito que não haverá grandes mudanças, mas é claro que precisamos ver como se dará a configuração da nova empresa para avaliar melhor", disse o executivo.

Outro ponto distinto das companhias é a política de preços. Segundo Mascarenhas, a principal estratégia da Trip não é a de deter as tarifas mais baixas do mercado, como no caso das duas concorrentes, Gol e Webjet.

"Nós trabalhamos com aviação regional e nosso principal objetivo é alcançar o maior número de destinos possíveis. Não é a toa que devemos encerrar o ano com dez novos destinos, alcançando 90 locais espalhados pelo país", avaliou. Entre as novas localidades que receberão voos da Trip ainda este ano estão Bauru (SP), Marabá (PA) e Barreiras (BA).

Do total dos destinos atendidos pela Trip, 35% são rotas exclusivas da companhia. Em localidades como Ipatinga (MG), Humaitá (AM), Eirunepé (AM), Fonte Boa (AM) e Porto Trombetas (PA), apenas a empresa atua.

"Há um estudo do setor que aponta ser necessários R$ 3 bilhões para deixar 180 aeroportos regionais brasileiros em condições ideais de uso. Ainda temos muito espaço para crescer", diz Mascarenhas.

Para isso, a empresa vai precisar reforçar sua força de trabalho. Com a expectativa de somar dez novas aeronaves até o fim deste ano e alcançar 55 unidades, a Trip vai contratar tripulantes, mas ainda não definiu o número. A empresa deve encerrar 2012 com uma frota de 70 aeronaves.

"Nossa força de trabalho aumentou de 300 funcionários em 2008 para os atuais 3 mil e a tendência é de aumentar esse número", ressaltou o executivo.

Preços

Apesar de não ser foco na política de crescimento da companhia, os valores dos tíquetes da Trip precisam ser competitivos para angariar espaço no mercado de aviação nacional. A empresa, que segundo dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) detém 3% de participação de mercado, também precisou adaptar suas cifras em decorrência dos preços do petróleo e os consumidores tiveram repasses.

"O custo com combustível representa cerca de 35% do montante das despesas e tivemos que nos adaptar a realidade do petróleo e repassar um reajuste médio de 7%, que pode ser verificado principalmente no segundo trimestre deste ano.

Apesar de deter contratos de hedge, que garantem a compra de combustível por um preço tabelado, a empresa precisou fazer as adaptações. "Mas estamos em constante corte de custos para fornecer o melhor preço possível", garantiu Mascarenhas.


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