Países estudam ampliar punições ao país, após confirmação de enriquecimento de urânio.
Europa e Japão levaram adiante nesta terça-feira (10/1) planos para cortes punitivos sobre importações de petróleo do Irã, onde uma autoridade disse que a indignação ocidental pela notícia de que Teerã está enriquecendo urânio em seu subterrâneo é apenas uma desculpa e que as sanções têm outros motivos.
Um dia depois de o Irã confirmar o início do enriquecimento em um bunker perto da cidade sagrada de Qom - e ainda de ter condenado à morte um americano por espionagem -, a União Europeia realizou uma reunião ministerial que deve igualar as medidas americanas para dificultar as exportações do petróleo iraniano.
O Japão tomou precauções para o caso de se juntar ao embargo internacional na compra de petróleo bruto iraniano, pedindo à Arábia Saudita e aos Emirados Árabes Unidos que o ajudem a compensar qualquer redução.
O enviado do Irã à agência nuclear da ONU, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), foi contundente com relação às reações à notícia de segunda-feira, confirmadas pela AIEA, de que a instalação de Fordow estava enriquecendo urânio - algo que as potências ocidentais dizem ser para desenvolver armas nucleares, e não para uso civil, como garante o Irã.
Observando que Fordow estava sendo monitorada pela AIEA há dois anos, Ali Asghar Soltanieh disse à agência de notícias Isna, do Irã, que a reação ocidental tinha "objetivos políticos".
A liderança clerical em Teerã, sob pressão das sanções que estão atrapalhando a economia antes de uma eleição parlamentar, acusa as potências ocidentais de tentar derrubá-la.
Em Bruxelas, a União Europeia disse ter antecipado em uma semana, para 23 de janeiro, uma reunião na qual ministros das Relações Exteriores do bloco, que rivaliza com a China como o maior freguês do petróleo bruto do Irã, devem confirmar um embargo ao produto.
Os 27 governos ainda debatem por quanto tempo algumas das economias fragilizadas e dependentes de petróleo podem ficar sem um fornecedor-chave.
Embora tenha sido uma mudança oficialmente administrativa para evitar um confronto com uma reunião de líderes da UE em 30 de janeiro, antecipar a reunião de ministros europeus pode aumentar o ritmo da implementação de sanções, seguindo os passos do presidente americano, Barack Obama, que na véspera do Ano Novo suspendeu os pagamentos ao Irã por petróleo.
A decisão da República Islâmica de levar adiante o trabalho de enriquecimento debaixo da terra em Fordow pode acabar dificultando para as forças americanas e israelenses lançarem ameaças veladas de uso de força contra instalações nucleares iranianas. Isso, por sua vez, pode estreitar a janela para diplomacia para evitar qualquer ataque.
Na segunda-feira, o Departamento de Estado dos EUA descreveu o enriquecimento de urânio em Fordow como "uma escalada das violações" do Irã às resoluções da ONU.
A França pediu medidas de "escala e severidade inéditas" contra Teerã. A Alemanha e a Grã-Bretanha também condenaram o país. Outros países, inclusive Grécia e Itália, que são grandes consumidores do petróleo iraniano, estão buscando adiamentos antes de cortar as importações.
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