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Oriente Médio

Um ano depois, Primavera Árabe ainda gera incertezas

Humberto Domiciano   (hdomiciano@brasileconomico.com.br)
27/01/12 17:30


Kadafi foi morto por rebeldes depois do país ter mergulhado na guerra civil

Kadafi foi morto por rebeldes depois do país ter mergulhado na guerra civil

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Com as quedas de Hosni Mubarak, Muamar Kadafi, Zine el-Abdine Ben Ali e Ali Abdullah Saleh, além de confrontos na Síria, a região encara o desafio de implantar novos governos.

Mais de um ano depois do estouro da chamada Primavera Árabe, o Oriente Médio vive um momento de indefinição política.

Com as quedas de Hosni Mubarak, no Egito, Muamar Kadafi, na Líbia, Zine el-Abdine Ben Ali, na Tunísia, e Ali Abdullah Saleh, no Iêmen, além de confrontos na Síria, a região encara o desafio de implantar novos governos.

Para José Luiz Niemeyer, coordenador do curso de Relações Internacionais do Ibmec, a democracia ainda é ponto distante para os países que depuseram os regimes ditatoriais.

"É complicado imaginar que estes movimentos consigam implementar uma ordem democrática. As estruturas dos países árabes estão enraizadas em muito poder para os serviços secretos, que não querem abrir mão de seus privilégios, e também na influência da religião. O estado democrático tem que ser laico", pontuou.

O primeiro país a encarar manifestações por mudanças na sua política foi a Tunísia. Em dezembro de 2010, durante um protesto, um jovem desempregado ateou fogo em seu corpo. A medida extrema desencadeou uma revolta que derrubou Ben Ali, que governava desde 1987.

Pouco tempo depois foi a vez do Egito, onde Mubarak, que estava no poder há mais de 30 anos, caiu após fortes protestos realizados na Praça Tahir, na capital Cairo.

Na visão de Niemeyer, a situação política do país ainda inspira cuidados. "Por lá a população segue questionando as formas de se escolher as lideranças. Penso que os partidos precisam ter um caráter mais moderno, com uma visão menos autocrática da política", comentou.

Nas eleições parlamentares egípcias, o partido Irmandade Muçulmana, ligado ao islamismo mais radical, deve fazer a maioria das cadeiras, tendo chances de indicar o novo primeiro-ministro.

Por sua vez, o caso da Líbia acabou sendo o mais marcante da série de mudanças políticas no Oriente Médio. Kadafi, após 42 anos como ditador, foi morto por rebeldes depois do país ter mergulhado na guerra civil.

Já na Síria, o ditador Bashar Assad reprime com violência os protestos que pedem a sua saída. "As estruturas do estado sírio são muito ligadas ao grupo dele. Tanto as forças armadas quanto as estatais estão fielmente ligadas ao ditador. Neste quadro, a violência prevalece e é complicado criar condições democráticas, com estruturas viciadas e difíceis de romper", definiu Niemeyer.

Quanto à relação destes países com os Estados Unidos, as eleições presidenciais americanas deste ano não devem mudar os rumos.

Para o coordenador do Ibmec, as chances de alguma intervenção militar na região são pequenas. "A crise afetou os Estados Unidos e não vejo a possibilidade de ações como as ocorridas no Iraque e no Afeganistão. Em caso de vitória republicana, também há a perspectiva de algum isolacionismo americano, o que afastaria os riscos de algum conflito no Oriente Médio", finalizou.


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