Impulsionados pelos rumos da economia brasileira nos últimos anos e pelas inovações tecnológicas, presenciamos hoje dois movimentos que merecem destaque no que se refere ao comportamento dos consumidores.
São eles: a inclusão digital, que faz com que uma parte do consumo agora seja feita pela internet, e paralelamente a inclusão social e de consumo, com a ascensão do poder de compra das classes C e D.
Com a inclusão digital, consumidores que costumavam fazer compras em lojas de rua e shoppings passam a fazê-las via internet. Poderíamos esperar, a partir deste movimento, uma queda nas vendas das lojas "presenciais".
Porém, o que acontece no Brasil é exatamente o oposto: as vendas das lojas "presenciais" não páram de crescer. Este fenômeno só pode ser explicado pela inclusão social e de consumo das classes com menor poder aquisitivo que, ao entrarem no mercado de consumo brasileiro pelo varejo real, mais do que compensam a "perda" de consumidores destas lojas para os meios virtuais.
Essas classes são compostas por jovens ávidos por "gastar", e que recentemente tiveram seu padrão de consumo incrementado pela maior oferta de crédito, crescimento econômico nacional e pelos programas federais de distribuição de renda e moradia.
Todo este cenário nos faz pensar que essas classes irão ditar os padrões de consumo e de negócios da população brasileira nos próximos anos.
Este movimento de migração do consumo real para o virtual pode ser comparado com países como EUA ou Inglaterra, mas com as devidas ressalvas.
Na Europa e na América do Norte, temos apenas um fenômeno: a inclusão digital, que leva milhares de consumidores que já possuem poder de compra estabelecido e formado há algum tempo e que, agora, "descobrem" o mundo das compras virtuais.
Com base nesta comparação, podemos nos questionar se, em algum momento, o consumidor emergente brasileiro entrará no mercado de consumo diretamente pelo meio digital.
Jovens da classe C conectados farão sua primeira compra pela internet e não em uma loja de shopping? Pode ser que isso aconteça, mas não sabermos quanto tempo irá levar.
Hoje ainda é difícil imaginar um consumidor da classe D comprando sua primeira moto, seu primeiro carro ou geladeira pelo computador. Mas talvez ele compre um presente para um parente distante. Para que este movimento aconteça de forma relevante, precisamos de uma grande evolução na educação pública.
Alguém poderá dizer que, com um universo de 180 milhões de aparelhos celulares, todos os brasileiros terão fácil acesso à internet, mesmo aqueles que estão entrando agora no mercado de consumo.
Porém, vale lembrar que 82% correspondem a planos pré-pagos que não têm acesso à web ou que oferecem internet a preços elevados.
Logo, 32 milhões de brasileiros têm aparelhos com possibilidade de acesso à internet, e mesmo assim, nem todos os planos pós-pagos incluem o serviço por um valor acessível.
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Maurício de Almeida Prado é sócio-diretor executivo da agência de promoções e eventos Plano1
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