Presidente da França, Nicolas Sarkozy: credores privados aceitaram uma renúncia voluntária de 50% da dívida grega
Comunidade
Acordo prevê que credores privados renunciem a 50% dos títulos gregos, além de um aumento do fundo de resgate para € 1 trilhão.
A Zona do Euro conseguiu na madrugada desta quinta-feira (27/10) um acordo para sair da crise, que prevê que os bancos renunciem à metade da dívida da Grécia, assim como um plano para resgatar as economias à beira da falência, em uma histórica reunião de cúpula em Bruxelas.
"Acredito que estivemos à altura das expectativas e que fizemos o que deveria ser feito pelo euro", afirmou a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, ao fim de uma reunião que durou mais de 10 horas.
O acordo foi saudado com otimismo no mundo das finanças e as bolsas europeias abriram em forte alta nesta quinta-feira. O índice Footsie-100 de Londres ganhava 1,72%, o CAC 40 de Paris avançava 3,74% e o Dax de Frankfurt 3,43%%.
O plano, apresentado como uma resposta contundente à crise, consta de três pontos principais: o resgate financeiro da Grécia, a recapitalização dos bancos europeus e o aumento do potencial do fundo de resgate europeu.
O presidente francês, Nicolas Sarkozy, anunciou que a dívida grega terá um alívio de € 100 bilhões após a aceitação, pela maior parte dos bancos, de uma redução superior a 50% do valor dos títulos da dívida.
"Os credores privados farão um esforço voluntário de 50%", afirmou Sarkozy, e esta solução evitará que a Grécia entre em 'default' com uma redução de € 100 bilhões da dívida total de € 350 bilhões, que será reduzida a 120% do PIB até 2020.
Segundo o presidente francês, o esforço será similar para todos os bancos credores, tanto gregos como estrangeiros. "Estão previstas condições iguais para todos os bancos".
Sarkozy revelou que ele e a chefe de governo alemã, Angela Merkel, estiveram "em contato com representantes dos banqueiros não para negociar, mas para informá-los das decisões dos dezessete" países da Zona do Euro. Os banqueiros "refletiram e concordaram".
A questão da dívida grega era o último grande obstáculo para a elaboração de uma resposta visando impedir o contágio da crise a países da Zona do Euro com economias maiores.
O Instituto de Finanças Internacionais (IIF), que representa os grandes bancos, saudou o acordo e afirmou que quer "trabalhar com a Grécia".
"Em nome do setor privado, o IIF está de acordo em trabalhar com a Grécia, com as autoridades da Zona do Euro e com o FMI para desenvolver um acordo voluntário e concreto sobre a base firme de uma redução de 50% da dívida nacional grega", declarou Charles Dallara, diretor do Instituto.
Sarkozy informou ainda que os líderes europeus acertaram o aumento da capacidade de resposta do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF) para € 1 trilhão, ao final de mais de 10 horas de reunião na capital belga.
Dotado atualmente de € 440 bilhões, o Fundo é insuficiente para socorrer um país como a Itália, terceira economia da Zona do Euro.
A cúpula de Bruxelas também acertou elevar os fundos de capital próprio dos bancos para 9% do total de seus ativos até 30 de junho de 2012, contra os 5% atuais. Até que se chegue a esse objetivo, os bancos terão que ficar sujeitos a certas obrigações sobre a divisão dos dividendos e o pagamento de bonificações.
Em troca, os países se comprometeram a recapitalizar os bancos europeus com o dinheiro necessário para reduzir o impacto do prejuízo.
A Autoridade Bancária Europeia (EBA, da sigla em inglês) calculou na quarta-feira (26/10) que os bancos europeus necessitam de € 106 bilhões, sendo € 30 bilhões para os gregos, € 26,161 bilhões para as instituições espanholas, € 14,770 bilhões para os italianos e € 8,840 bilhões para os bancos franceses.
Sarkozy felicitou o Banco Central Europeu (BCE) por estar "por trás das decisões adotadas", e citou o próximo governador do BCE, o italiano Mario Draghi.
A decisão em Bruxelas foi qualificada de "nova era" para a Grécia pelo primeiro-ministro Giorgos Papandreu.
O presidente da União Europeia (UE), Herman Van Rompuy, festejou os resultados: "somos todos conscientes de que a situação é séria e que esta crise ameaça toda a Zona do Euro".
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